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terça-feira, 22 de março de 2011

Projeto com participação de FCF e ICB pesquisa vacina para a malária


A malária é causada principalmente por três diferentes Plasmodium (um gênero de protozoário): o P. vivax, o P. falciparum e o P. malariae, que são transmitidos aos seres humanos através da picada do mosquito Anopheles. Os estudos do ICB/USP e da FCF se restringem ao P. vivax, o "menos agressivo", mas também o mais prevalente no Brasil, causador de quase 80% dos casos da doença no país.

Os estudos integram as pesquisas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCTV), concebido para apoiar o desenvolvimento de vacinas contra doenças negligenciadas e que envolve 16 centros de pesquisa brasileiros. Cada um faz uma pequena parte da pesquisa e, eventualmente, há reuniões para que os cientistas compartilhem os resultados com seus colegas.

A equipe do ICB, coordenada pela professora Irene Soares, tenta identificar antígenos que possam compor uma vacina e reproduzi-los através de bactérias e leveduras modificadas. Antígenos são a "parte" do microorganismo patógeno (o plasmódio, para a malária) que faz com que o organismo humano reconheça que há uma ameaça e produza anticorpos para eliminá-la. A ideia é isolar esse antígeno, que normalmente é uma proteína específica do patógeno, e usá-lo para despertar a reação imune do corpo. Em outras palavras, a pessoa vacinada não fica doente porque só recebeu uma proteína inofensiva e, ao mesmo tempo, seu organismo passa a ter anticorpos que atacarão o patógeno no caso de uma infecção, já que ele tem em si a proteína.

O processo, na prática, é mais complicado. "Há mais de 80 anos tenta-se desenvolver uma vacina para a malária, sem sucesso", diz a professora Sílvia Boscardin, coordenadora da pesquisa da vacina no ICB, que ainda diz que a vacina que estão tentando desenvolver pode demorar mais de 20 anos para ser usada comercialmente. Ela conta que a principal dificuldade em chegar a uma vacina eficaz é o complexo ciclo do protozoário.

O plasmódio é inoculado no homem na forma esporozoítos, que chegam rapidamente ao fígado e invadem células conhecidas como hepatócitos. Lá se reproduzem assexuadamente gerando os merozoítos, que invadem as hemácias onde se reproduzem novamente, também de forma assexuada. Então arrebentam as hemácias em que se alojaram e invadem outras. Neste momento é que causam no hospedeiro os sintomas típicos da doença como febre e mal-estar e que surgem, da reprodução, os gametócitos, formas sexuadas do protozoário, que são aspirados pelo Anopheles quando o mosquito pica uma pessoa infectada, recomeçando o ciclo.

Indústria farmacêutica e doenças negligenciadas
Sem a rede de pesquisas, seria muito difícil chegar a alguma vacina. Explica-se: criar uma vacina é um trabalho complexo, caro e demorado. De acordo com o artigo "The fragility of the U.S. vaccine supply" (New England Journal of Medicine, 10 de março de 2005), o tempo médio de desenvolvimento de uma vacina é de 12 a 15 anos e o custo de 500 milhões a um bilhão de dólares. O orçamento de 2010 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), principal órgão de fomento à pesquisa do estado, foi de cerca de R$ 750 milhões; o de toda a USP foi de aproximadamente R$ 3 bilhões.
Não por acaso, grandes grupos farmacêuticos privados dominam o desenvolvimento e a fabricação de vacinas. No Brasil, quem autoriza a fabricação do produto é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente constam registros válidos de 96 vacinas em seu site, dos quais 77 estão em nome de empresas privadas, sendo 73 de empresas privadas estrangeiras.
Com esse domínio, a produção de vacinas acaba ficando sujeita ao interesse comercial, e doenças como a malária, com grande incidência apenas em áreas tropicais e, via de regra, pobres, são deixadas de lado pelos grandes fabricantes - daí o termo "negligenciadas", que dá nome ao INCT do qual a USP faz parte.

Brasileiras x estrangeiras
Quanto têm de verba e quantas vacinas têm registradas no Brasil as duas maiores fabricantes nacionais e estrangeiras.
 Edição de Arte: Pedro Bolle / Bruno Leite

segunda-feira, 21 de março de 2011

BRASIL, EUA e PERU se unem para estudar malária na Amazônia

Cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP farão parte de um grupo trinacional (Brasil, Peru e EUA) que vai pesquisar as características da transmissão de malária na Amazônia brasileira e peruana. Na semana passada, o grupo teve assegurado US$ 9,2 milhões do governo dos EUA para pesquisar por sete anos pelos Institutos Nacionais de Saúde. O objetivo é dar bases científicas para medidas de saúde pública na região.

Os pesquisadores integrarão o Centro Internacional Peruano/Brasileiro de Excelência em Pesquisa de Malária (Icerm), um órgão sem sede, que a partir de setembro vai agregar e financiar pesquisadores de oito instituições diferentes.

A malária é causada pelo protozoários do gênero plasmódio, que parasitam os seres humanos e os mosquitos anofelinos. A doença mata cerca de 1 milhão de pessoas todo ano no mundo. No Brasil, 610 mil pessoas foram contagiadas em 2006 e perto de 310 mil em 2009, segundo o Ministério da Saúde. O número corresponde a 60% de todos os casos na região amazônica.

“Apesar de o governo implementar medidas de controle de malária [como distribuição de mosquiteiros e pulverização de inseticidas], a doença no Brasil ainda está longe da erradicação”, explica Marcelo Ferreira, professor do ICB, responsável pela parte brasileira do projeto. “Era de se esperar que houvesse menos casos.”

“Ainda não está claro por que a malária tem se provado tão difícil de controlar na bacia amazônica”, afirma o professor da Universidade da Califórnia Joseph Vinetz, coordenador do projeto. “Nós juntamos um impressionante time de especialistas que estão preparados para examinar todos os aspectos da transmissão de malária da região, a fim de aprimorar o diagnóstico, tratamento e prevenção da infecção.”

Os cientistas vão estudar na Amazônia brasileira e peruana a quantidade de pessoas infectadas e de novos casos. Eles também examinarão a genética do mosquito, o horário e local em que eles picam e se eles estão se tornando resistentes a inseticidas. Além disso, estudarão se o parasita da malária adquiriu resistência aos remédios repelentes. Por fim, pesquisarão pessoas que têm o parasita no sangue, mas não sofrem os sintomas e por isso não são tratadas pelos serviços de saúde. Quando elas são picadas, o parasita infecta o mosquito, que o passa adiante.

Brasil, Peru e EUA
As pesquisas de campo acontecerão em Acrelândia, zona rural do Acre, e nas cidades peruanas de Iquitos e Puerto Maldonado — uma região mineradora onde novas estradas estão contribuindo para espalhar a doença.

As amostras de sangue brasileiras serão examinadas no ICB e na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Os mosquitos serão estudados na FSP e na Unesp de Botucatu. As amostras peruanas serão estudadas na Universidade Peruana Cayetano Heredia, em Lima, Peru.

Também colaborarão pesquisadores da Universidade Federal do Acre, do Departamento de Saúde de Nova York, da Universidade Johns Hopkins e do destacamento em Lima do Centro Médico Naval dos Estados Unidos.

O Icerm brasileiro/peruano faz parte de uma rede de dez centros semelhantes em regiões onde a transmissão de malária é importante — como a África subsaariana, sudeste da Ásia, Índia e Papua Nova Guiné. “Reuniremos dados de diferentes países para ter uma ideia de como está a malária no mundo todo”, explica Ferreira. O projeto também prevê que os pesquisadores possam fazer intercâmbios de treinamento em centros de países diferentes.

Os pesquisadores brasileiros também receberão verbas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq) e do Ministério da Saúde.

No Brasil, já começaram as pesquisas mais importantes, que vão focar nas pessoas com infecções assintomáticas. Os cientistas estudam qual a proporção das pessoas com infecção assintomática, quantos tem parasitas que podem infectar mosquitos e como o organismo das pessoas adquire resistência ao parasita sem conseguir eliminá-lo por completo. Eles também testarão a hipótese de que a infecção assintomática protegeria de uma infecção com sintomas.

Mais informações: (11) 3091-7746, email muferrei@usp.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , site http://www.niaid.nih.gov/news/newsreleases/2010/Pages/MalariaICEMR.aspx

domingo, 20 de março de 2011

Amazônia contra a malária

A intenção é usar o conhecimento popular como um atalho para novos medicamentos. Tais ferramentas pertencem à esfera da etnobotânica, que é o estudo do uso de plantas por agrupamentos humanos. "A malária foi introduzida na Amazônia há mais de 200 anos e tanto os índios como os caboclos tiveram de desenvolver meios próprios de se tratar", diz Ming. "Esse aprendizado é um ponto de partida para a pesquisa de novas drogas."

As estratégias disponíveis para combater a doença atingiram um limite. Os mosquitos que transmitem a doença, do gênero Anopheles, vêm criando resistência a inseticidas, e a cloroquina, o mais tradicional remédio contra a malária, já não é eficaz contra algumas cepas do Plasmodium falciparum. Existe outra opção, a erva asiática Artemisia annua, da qual se produz a artemisinina, mas seu custo de produção é ainda elevado. Os índios e as populações ribeirinhas sofrem com a malária desde o século 18, quando a doença foi trazida da África com os colonizadores. Levar em conta essa experiência pode conduzir a novas estratégias de combate.

Riscos - A malária é uma doença debilitante, que provoca febres e anemia, e torna o organismo suscetível a outras moléstias. Diminui o rendimento no trabalho, exige deslocamento das vítimas para locais que tenham condição de fazer diagnóstico e em alguns casos pode ser letal, sobretudo em indivíduos malnutridos. "Em caso de malária na gravidez", comenta Ming, "pode ocorrer má-formação do feto, atraso no desenvolvimento intra-uterino ou mesmo abortos, além de seqüelas permanentes na criança."

No Brasil, 99% dos casos de malária ocorrem na Região Norte, onde a moléstia mantém um fôlego desafiador: de 11 mil casos no Amazonas em 1985, chegou a 180 mil em 2000, caindo para 40 mil no ano seguinte. "Em 1999 houve o maior surto no Amazonas, com 167.722 casos registrados e certamente muitos milhares não incluídos nas estatísticas", conta Hidalgo. "Foi nesse momento que decidi trabalhar com mais afinco na procura por alternativas para minimizar o sofrimento causado pela malária."

Entre 2001 e 2003, Ming e Hidalgo, em cinco viagens que duraram em média dois meses e meio cada uma, visitaram três municípios da região de Manaus (Careiro, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva) e quatro na área deinfluência do rio Solimões (Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tefé e Coari). Em cada lugar, selecionaram os entrevistados com o apoio de agentes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e voluntários da Pastoral da Criança.

Embora a Funasa promova campanhas periódicas sobre a importância de combater os mosquitos, boa parte dos entrevistados ainda acha que a malária se propaga mesmo é pela água. "Muitos associam a malária às favas (vagens) que caem de uma árvore, o baú-baú, contaminando a água", diz Hidalgo. "Na verdade, há uma coincidência entre o ciclo reprodutivo da árvore e as cheias, que alagam terrenos e favorecem a proliferação dos mosquitos e, conseqüentemente, da malária." Hidalgo e Ming pretendem até 2006 repetir a pesquisa na calha do rio Negro, onde é mais forte a presença de índios do que de caboclos.

Fonte: FAPESP OnLine

domingo, 13 de março de 2011

PREFEITURA DE CRUZEIRO DO SUL - GESTÃO SEM TRANSPARÊNCIA

Em um país onde interesses públicos e privados se misturam e a vontade de mudar a forma de governar ainda esbarra em heranças (estas sim, malditas), o ajuste de contas com o clientelismo (sub-sistema de relação política, em que uma pessoa recebe de outra a proteção em troca do apoio político) e com o corporativismo (sistema político onde o poder legislativo é atribuído a corporações representativas)  passa, evidentemente, pela reforma política, que por enquanto mobilizou apenas o Supremo Tribunal Federal, mesmo que com rusgas intestinas.
Mas a reforma política só fará sentido se acompanhada de dois mecanismos vitais para a melhoria dos serviços prestados à população: controle social e gestão. Sem transparência, prestação de contas à população e gestores atentos para que custos e resultados estejam adequados ao que o dinheiro recolhido do contribuinte possibilita e a população necessita, não há Brasil melhor.
Lei (do verbo latino ligare, que significa "aquilo que liga", ou legere, que significa "aquilo que se lê") é uma norma ou conjunto de normas jurídicas criadas através dos processos próprios do ato normativo e estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito.
A iniciativa da lei normalmente compete ao órgão executivo ou ao legislativo, mas há casos em que a própria Constituição determina que a iniciativa caiba ao judiciário. No seu processo de formulação, passa por várias etapas, estabelecidas na Constituição. Neste processo temos a iniciativa da lei, discussão, votação, aprovação, sanção, promulgação, publicação e vigência da lei.
Todos os Poderes, entes federados e órgãos da Administração Pública direta e indireta brasileira submetem-se ao princípio constitucional da publicidade, resultante do princípio democrático, o qual determina sejam publicados seus atos administrativos. Os atos legislativos também se curvam a esse princípio, e as leis, para que produzam efeitos no mundo jurídico, devem ser publicadas. O princípio da simetria recomenda que Estados e Municípios observem as regras gerais do processo legislativo ordinário federal, traçadas pela Carta de 1988, inclusive quanto à etapa final da publicação, que deve ser realizada no órgão oficial. À luz da contemporânea Hermenêutica Constitucional, inspirada em Hans-Georg Gadamer, o sentido da palavra publicação deve ser atualizado e interpretado em cotejo com as tecnologias disponíveis, de sorte que as leis devem ser publicadas na imprensa oficial, cuja existência, nesse contexto, é obrigatória, inclusive para os Municípios, não bastando, para cumprimento da publicidade, o antigo costume de afixação de seu texto nos locais públicos, quando esse ente não possuir jornal oficial.
Não é outro o entendimento do legislador, prevendo a Lei de Introdução ao Código Civil, no seu art. 1º, que "Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em 45 (quarenta e cinco) dias depois de oficialmente publicada."

A realidade de Cruzeiro do Sul

Muitos lesgisladores debruçam-se longas horas para estudar e elaborar projetos de lei que busquem melhorias concretas aos cidadãos. Mas imaginemos que essas melhorias não passam de ficção! 
Caro leitor e contribuinte... em Cruzeiro do Sul, pode-se utilizar aquele jargão... aqui é "terra sem lei", principalmente no que tange às Leis Municipais.

Vejamos o caso abaixo:

Um vereador cruzeirense e de oposição, evidentemente, escreveu a Lei nº 526, que CRIA O PORTAL DA TRANSPARÊNCIA NO ÂMBITO DO PODER EXECUTIVO DE CRUZEIRO DO SUL E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS, onde:

§ 1° O Poder Executivo colocará em sua página na internet, um portal denominado PORTAL DA TRANSPARÊNCIA DO MUNICÍPIO DE CRUZEIRO DO SUL, onde deverão constar dentre outras, as seguintes informações de forma simplificada e de fácil consulta:

I – Os orçamentos anuais de cada Secretaria e órgãos da administração indireta;

II – Execução do Orçamento;

III – Contratos;

IV – Banco de Preços;

V – Empresas penalizadas;

VI – Convênios;

VII – Convenentes inadimplentes;

VIII – Passagens e diárias;

IX – Procedimentos Disciplinares;

X – Decisões dos Conselhos;

XI – Consultas Públicas;

XII – Licitações;

XIII – Estrutura;

XIV – Legislação. 
Em seu Parágrafo 3°, o Poder Executivo deveria providenciar a implementação da página objeto da presente, em 180 dias a contar da data da publicação (ressalto bem esta palavra - PUBLICAÇÃO), sob pena de responsabilidade e ainda em seu Parágrafo 4º temos que a implantação do Portal da Transparência não implicaria em despesas adicionais. Esta Lei nº 526 foi sancionada pelo Prefeito Vagner Sales em 10 de maio de 2010.

Perguntas que não querem calar!

1 - Existe Portal da Transparência?

2 - A Lei nº 526 foi OFICIALMENTE PUBLICADA?

3 - Se foi, ela já está em vigor? Existe Portal da Transparência e onde está localizado?

4 - Se não foi, o Prefeito (como gestor responsável) está cometendo algum "crime"?

5 - A gestão atual está sendo transparente?

6 - Quando será implantado o Portal da Transparência?

7 - Como uma Cidade de quase 20.000 habitantes, com um orçamento e recursos humanos menor consegue ser mais eficiente na transparência do que Cruzeiro do Sul (aprox. 77.000 habitantes)? Veja o portal da transparência pública da cidade de São José da Lapa em MG: http://www.saojosedalapa.mg.gov.br/

8 - Porque não encontramos, pelo menos, o link para o Portal da Transparência do Governo Federal no site da Prefeitura de Cruzeiro do Sul? http://www.portaltransparencia.gov.br/

9 - A quem interessa a falta de Publicidade das Leis e de Transparência da gestão municipal?

Analisem com um foco crítico as leis municipais que já foram criadas nessa gestão pelo site http://www.cruzeirodosul.ac.gov.br/v10/administracao/leis_municipais.htm, bem como se já estão sendo colocadas em prática.

Quero ainda que você leitor, faça um exercício prático do porquê a falta de publicidade é prejudicial para um município. Procurem no sítio acima a Lei nº 521 de 19 de fevereiro de 2010 que derroga a Lei nº 515 e lhe dá nova redação:

Art. 1° O artigo 1°, caput, da Lei Municipal n° 515, de 27 de novembro de 2009, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 1° Fica o Poder Executivo autorizado a dispensar o pagamento de juros e multas, decorrentes de seus créditos tributários e não tributários, cujos fatos geradores tenham ocorridos até 31 de outubro de 2009, inscritos ou não na dívida ativa, mesmo aqueles em execução fiscal já ajuizada, no percentual de 100% (cem por cento), desde que o requerimento por parte do contribuinte seja formalizado até o dia 30 de abril de 2010”.

Esta redação pode estar relacionada ao IPTU, devido ao movimento popular desenvolvido pelo GAUPF (Grupo de Articulação Universitária e Popular da Floresta). Mas notem que o texto é mais amplo quando fala "...dispensar o pagamento de juros e multas, decorrentes de seus créditos tributários e não tributários, cujos fatos geradores tenham ocorridos até 31 de outubro de 2009..."

Sobre o crédito tributário, temos nas Disposições Gerais do Capítulo I da Lei nº. 479 de 21 de novembro de 2007:

Art. 21 – O crédito tributário decorre de obrigação principal e tem a mesma natureza desta.

Art. 22 – As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as suas garantias, ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade, não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem.

Art. 23 – O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou se extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos expressamente previstos neste código.

Parágrafo único - Fora dos casos previstos neste Código, o crédito tributário regularmente constituído não pode ser dispensado, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias.

Não sou formado em Direito, mas com uma simples leitura e um pouco de conhecimento, pode-se observar que algo de errado pode ter acontecido e precedentes podem ter sido abertos, para a extinção de outras multas ou juros, que não somente a do IPTU. Vejam vocês que, mesmo a Lei nº. 479 de 2007 tenha sido sancionada pela PREFEITA, foi assinada pelo PREFEITO, veja o link: http://www.cruzeirodosul.ac.gov.br/v10/administracao/lei479.pdf. Desta forma, se isso está alterado, quem me garante que algo a mais não foi também modificado? Além do mais, sem publicação, não teremos a certeza sobre o texto integral. Erro básico da gestão do prefeito Vagner Sales, demonstrando mais uma vez, a falta de capacidade técnica.

Por fim, acredito que a transparência é o melhor antídoto contra corrupção, dado que ela é mais um mecanismo indutor de que os gestores públicos ajam com responsabilidade e permite que a sociedade, com informações, colabore com o controle das ações de seus governantes, no intuito de checar se os recursos públicos estão sendo usados como deveriam.

Prof. Rodrigo Medeiros

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Educação: Direito à Cidadania - Uma realidade ausente em Cruzeiro do Sul

Em um momento em que a cidadania enfrenta novos desafios, busca novos espaços de atuação e abre novas áreas por meio das grandes transformações pelas quais passa o mundo contemporâneo, é importante ter o conhecimento de realidades que, no passado, significaram e, no presente, ainda significam passos relevantes no sentido da garantia de um futuro melhor para todos.

O direito à educação escolar é um desses espaços que não perderam e nem perderão sua atualidade.

Hoje, praticamente, não há país no mundo que não garanta, em seus textos legais, o acesso de seus cidadãos à educação básica. Afinal, a educação escolar é uma dimensão fundante da cidadania, e tal princípio é indispensável para políticas que visam à participação de todos nos espaços sociais e políticos e, mesmo, para reinserção no mundo profissional.

Em época de eleição, é compreensível (e até desejável) que os cidadãos se perguntem com mais frequência: quais são, afinal, as políticas que devem ser implantadas ou continuadas em meu município? Na Educação, algumas responsabilidades são bem definidas, sendo que duas, com certeza, merecem destaque: o fornecimento da Educação Básica gratuita para crianças de zero a cinco anos, e do Ensino Fundamental I (1º. ao 5º. ano), também sem ônus algum para os estudantes. Essas incumbências foram delineadas na Constituição de 1988 e são exemplos da democracia que vem sendo conquistada aos poucos no ensino brasileiro. Conhecendo as responsabilidades do município, o eleitorado pode se dispor a acompanhá-las e, sobretudo, a cobrá-las.

É o que estou fazendo agora, caro leitor. Cobrando uma atitude enérgica, rápida, urgente dos responsáveis pela estagnação da educação em nosso município. O maior problema, aliás, é a falta de um Plano Municipal de Educação, com metas claras para serem alcançadas num prazo determinado. Ninguém se atreve a fazê-lo? Falta de capacidade técnica? Tempo? Falta de interesse? Ou será falso-moralismo dos atuais “representantes do povo”?

Vejamos então a situação da Escola Municipal Rural Jader Machado, localizada na estrada do Badejo, zona rural de Cruzeiro do Sul. Gostaria que você mesmo tirasse as suas conclusões sobre a situação desta escola.

 Foto: Rodrigo Medeiros

Jader Saraiva Machado iniciou sua vida pública como funcionário do ex-território Federal do Acre, ocasião em que veio ocupara a função de Mestre de Obras. Como Parlamentar, foi eleito Vereador no Município de Cruzeiro do Sul, em 1976 e Diplomado como Deputado Estadual, em 1983, ocupando-se com Legislação Agrária, Agropecuária, Indústria e Comércio, Ciências e Tecnologias, Obras públicas, Transporte e Comunicações. Na tribuna, abordou temas sociais e políticos. Em seus pronunciamentos de caráter social, batalhou pela valorização da cultura popular e apoio á juventude. Jader Saraiva Machado faleceu em 14 de setembro de 1985, com 51 anos, no exercício de suas atividades como parlamentar, no Hospital das Clínicas do Instituto do coração, em São Paulo faleceu.
Fico abismado em ver que um local, criado para homenagear um pessoa de relevância de Cruzeiro do Sul e que serviria como única forma de desenvolvimento humano e intelectual para crianças da Zona Rural de Cruzeiro do Sul esteja servindo de cemitério para animais. Nota-se a falta de condições extremas de operacionalidade para uma rotina normal em que a Educação e o direito à Cidadania deveria prevalecer.


 Foto: Rodrigo Medeiros

Foto: Rodrigo Medeiros

Mas será que existe alguma falha nos discursos da Prefeitura Municipal de Cruzeiro do Sul? De acordo com o site da prefeitura de Cruzeiro do Sul (veja aqui) “a PMCZS vem aumentando os investimentos na educação, que é uma das prioridades do prefeito Vagner Sales.” De onde estão saindo esses investimentos? FUNDEB? PDDE? Formação de Professores e Profissionais para a Educação Especial? Apoio à Alimentação Escolar na Educação Básica? Ao todo, o financiamento pelo Governo Federal para a execução de todas essas ações ultrapassou o volume de R$ 20 milhões no ano de 2010 de acordo com o Portal da Transparência do Governo Federal (veja aqui). Vejo que a capacidade técnica e administrativa que o Prefeito Vagner Sales e os seus secretários têm é, a meu ver, igual a zero, já que não conseguem fazer nada mais do que lhe são devidos, deixando o seu mandato a desejar. Convenhamos... é muita petulância.

Foto: Rodrigo Medeiros


Os mesmos buracos, entraves, lamaçais e preconceitos que impedem os trabalhadores rurais de escoarem as suas produções, impedem os seus filhos de adquirirem conhecimento e cidadania para poderem reivindicar seus direitos.

Como já diria Monteiro Lobato, “o Brasil é um Estado ignorante, dirigido por ignorantes, responsáveis pela vicejante ignorância nacional”. Assim como aquele Brasil vivenciado por Monteiro Lobato, vivencio de perto, em minha cidade, cenas de séculos passados.

Vê-se que a disseminação e a universalização da educação escolar de qualidade como um direito da cidadania que é o pressuposto civil de uma cidadania universal e parte daquilo que um dia foi considerado como uma das condições "da paz perpétua", estão feridas em seus conceitos.

Por fim, a importância da educação é de tal ordem que agrega significado e valor à vida de todas as pessoas, sem discriminação. Constitui a base para a realização dos direitos a boas condições de saúde, liberdade, segurança, bem-estar econômico e participação em atividades sociais políticas. A educação elimina a divisão entre direitos civis e políticos e apaga a divisão entre direitos econômicos, sociais e culturais. Sendo assim sem educação não como se falar em direitos, pois é necessário saber ler, interpretar e escrever para que se possa usufruir do Direito conquistado.


Prof. Rodrigo Medeiros

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS EM EVIDÊNCIA


          A higienização das mãos é considerada a ação isolada mais importante no controle de infecções em serviços de saúde. Porém, a falta de adesão dos profissionais de saúde a essa prática é uma realidade que vem sendo constatada ao longo dos anos e tem sido objeto de estudos em diversas partes do mundo. A utilização simples de água e sabão pode reduzir a população microbiana presente nas mãos e, na maioria das vezes, interromper a cadeia de transmissão de doenças. A aplicação de produtos anti-sépticos, em especial de agentes com base alcoólica, pode reduzir ainda mais os riscos de transmissão, pela intensificação da redução microbiana ou por favorecer aumento na freqüência de higienização das mãos. Por outro lado, a freqüência aumentada na higienização e o tipo de substância utilizada podem levar a danos na pele e aumentar a liberação de microrganismos no ambiente. O uso de novos produtos e a racionalização das indicações de higienização das mãos podem contornar esse problema e facilitar a adesão de profissionais a essa prática, com conseqüente redução das infecções. O grande desafio, nos dias atuais, é a adequação das técnicas já desenvolvidas, aplicando os produtos disponíveis à real necessidade de cada instituição, de acordo com o grau de complexidade das ações assistenciais ali desenvolvidas.

domingo, 9 de janeiro de 2011

PREVISÕES, PÓS-VISÃO, PARA 2011



Conforme a astrologia Chinesa, em 2011 nosso mundo rege-se pelo signo do Coelho. Dizem os estudiosos dessa simbologia que: "Será uma época harmoniosa em que a diplomacia, as relações internacionais e a política darão um grande passo outra vez. Segundo os chineses o ano do coelho é reconhecido por trazer a paz ou ao menos um respeito pelo conflito ou guerra. O coelho é extremamente afortunado nos negócios e em transações financeiras, favorecendo muito quem quer crescer em 2011. Devemos prestar atenção a tudo que se passa a nossa volta, para não perder as boas oportunidades".

Resolvi parafrasear os nossos amigos do S.O.S. Cruzeiro e fazer algumas previsões para 2011.

1) A prefeitura vai começar a planejar os concursos para 2012?;

2) A corja azulista continuará puxando o saco do Prefeito Azulista até ficar Roxista;

3) Morrem políticos famosos;

4) Morrem atores famosos;

5) O Vereador Chegou ao Desespero vai dá piti!;

6) A prefeitura vai garantir apoio às vítimas da enchente levando-as para um centro recreativo e "dando de comer";

7) O irmão do Prefeito Azulista vai continuar levando saúde para a comunidade ribeirinha e da zona rural devendo atingir mais de 10 mil pessoas só nesse ano. Além disso vai continuar embolsando as diárias sem sair do município;

8) A prefeitura vai inaugurar várias quadras poliesportivas nos bairros e vai asfaltar 50Km de ruas durante 2011;

9) Muitas festas para alegrar os idosos, as crianças e as mamães;

10) Nepotismo continuará se intensificando e se relacionando à interesses políticos;

11) Números da saúde irão impressionar em Cruzeiro do Sul;

12) Os da educação também;

13) Mais presentes para os índios;

14) Centro de Zoonoses vai funcionar seguindo todas as normas;

15) Prefeitura de Cruzeiro do Sul continua entregando presentes e fazendo merchan para 2012 com a distribuição de mais de 4.500 kits de material escolar;

16) Será inaugurado a Escola de Informática no Samambáia e o prefeito irá pagar uma de suas promessas azulistas de campanha;

17) Uns 3 prefeitos em exercício acompanharão obras, assinarão ordens de serviço e darão entrevistas à Rádio e TV Juruá;

18) Várias escolas serão reformadas, inclusive as que já foram reformadas;

19) Várias obras serão feitas, inclusive nos locais onde já se fizeram obras;

20) Prefeitura de Cruzeiro do Sul recupera porto com salário que seria pago a vice-prefeito;

21) As ruas que estavam mais largas no centro da cidade vão ficar menores;
22) Azulistas e produtores rurais traçarão estratégia para 2011;

23) Serão transportados aproximadamente 9.700 sacos de farinha, mais de 11 mil melâncias, 75.600 cachos de banana e 1 único abacaxi;

24) As ruas e avenidas de Cruzeiro do Sul serão bem sinalizadas;

25) Crescimento da quantidade de paradas de ônibus funcionais em Cruzeiro do Sul = 0 (zero);

26) Mega-Terminal de ônibus de Cruzeiro do Sul = 0 (zero);

27) O site do Sr. Procurador Geral no site da prefeitura será atualizado com suas ações justificando o seu salário;
PS1: Não vou nem falar sobre o website do Assesor de Comunicação, Gerente do Almoxarifado e outras coisas mais que incorporem proventos e gratificações. Deixo para ele falar... lá no site!

28) Várias festas e comemorações reunirão "milhares" de foliões, crianças, idosos, papais, mamães, namorados, renas, acreanos, cowboys, nordestinos...

29) Vagner Sales explica que este (2010) é apenas o segundo carnaval de sua administração, e tem procurado fazer o melhor possível. “Este carnaval está melhor do que o do ano passado, ...(previsão azulista)... o próximo será melhor ainda."
Fonte: http://www.cruzeirodosul.ac.gov.br/v10/agencianoticias/2010/02/15/index.htm

30) Cruzeiro do Sul fará 106 anos;

31) Obra abandonada (Vila Olímpica no Igarapé Preto) será transformada em área de lazer para os cruzeirenses;
PS2: Previsão e promessa em 2010... Parece que vai ser abandonada novamente.

PS3: Não consegui fazer previsões para a Secretaria de Fazenda, Planejamento e Orçamento e nem na Secretaria de Administração porque no site da prefeitura não existe nenhuma ação realizada por elas. Opa... acabo de fazer uma previsão: - Não haverá Administração, nem Fiscalização da Macroeconomia Farinheira Cruzeirense, nem Planejamento e nem Orçamento para dar continuidade às obras e oferendas da Prefeitura Azulista, o IPTU virá a tona e ninguém saberá calculá-lo direito.
 
Que venha 2011 e suas surpresas!!!