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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dica de Cinema: Paralelo 10

Amanhã (26/05) irei assistir a um documentário sobre os índios isolados no Acre no Espaço Itaú de Cinema.

O documentário de Silvio Da-Rin acompanha o sertanista José Carlos Meirelles e o antropólogo Terri Aquino pelo rio Envira, no Acre, numa missão que busca apaziguar os índios Madija e Ashaninka, com outras tribos que o homem branco ainda não fez contato.


Paralelo 10 é um documentário que retrata um trabalho pioneiro e arriscado realizado em uma pequena base Xinane, da FUNAI, próximo ao Paralelo 10º Sul, oeste do Acre, na fronteira com o Peru. Em instalações simples, no meio da selva, o sertanista José Carlos Meirelles leva adiante a difícil missão de proteger os índios isolados da região, contando com o auxílio do antropólogo Terri Aquino. Com poucos recursos, os especialistas desempenham incansavelmente suas tarefas. Além de realizarem uma negociação permanente com as populações ribeirinhas da área, eles também lidam com o enfrentamento com traficantes e posseiros que tentam invadi-la. 

Quer saber mais sobre o longa e onde ele está passando? Então acesse o Facebook oficial da produção clicando aqui.

Um bom filme a todos!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Prazo para regularizar titulo eleitoral vai até 09 de maio


A Justiça Eleitoral desenvolve uma importante campanha para comunicar aos cidadãos que vão tirar, transferir ou regularizar seu título eleitoral que o prazo final será no dia 09 de maio de 2012, conforme calendário eleitoral (abaixo). 
No entanto, não tenho visto a divulgação desta campanha no Acre pelos noticiários locais, jornais virtuais e blogs. Posso até estar enganado, mas nunca repassar informação vai ser demais. Aqui em São Paulo, o Tribunal Eleitoral vai ficar de plantão neste final de semana. Isto possibilitará aos jovens que não têm título, o direito de escolher representantes políticos que poderão interferir nas suas vidas nos próximos 4 anos. 
Para transferência ou para tirar o titulo de eleitor basta procurar o cartório eleitoral e levar o título de eleitor (no caso de transferência), documento oficial de identidade com foto, comprovante atual de endereço e certificado de quitação de serviço militar para homens maiores de 18 anos que vão tirar o título pela primeira vez.
Para tirar o Título de Eleitor, o cidadão deverá comparecer ao Cartório Eleitoral mais próximo de sua residência e levar os seguintes documentos:
  • RG original (ou certidão de nascimento ou casamento)
  • Comprovante de endereço (conta de luz, ou conta bancária, ou conta de telefone, etc… desde que contenha nome e endereço).
Para quem trabalha, existe uma lei trabalhista em que o empregado tem um dia de dispensa para tirar o título eleitoral (CLT, art. 473, V).
Em ano que não ocorra eleição, a inscrição eleitoral e a transferência podem ser requeridas a qualquer momento. Em ano eleitoral, porém, tais requerimentos só podem ser formulados até 150 dias antes da data da eleição, só reabrindo o prazo após o término dela, incluindo eventual 2º turno.

CALENDÁRIO ELEITORAL 2012



MAIO - QUARTA-FEIRA, 9.5.2012


  1. Último dia para o eleitor requerer inscrição eleitoral ou transferência de domicílio (Lei nº 9.504/1997, art. 91, caput).
  2. Último dia para o eleitor que mudou de residência dentro do Município pedir alteração no seu título eleitoral (Lei nº 9.504/1997, art. 91, caput e Resolução nº 20.166/1998).
  3. Último dia para o eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida solicitar sua transferência para Seção Eleitoral Especial (Lei nº 9.504/1997, art. 91, caput e Resolução nº 21.008/2002, art. 2º).



MAIO - SÁBADO, 26.5.2012


  1. Data a partir da qual é permitido ao postulante à candidatura a cargo eletivo realizar propaganda intrapartidária com vista à indicação de seu nome, vedado o uso de rádio, televisão e outdoor, observado o prazo de 15 dias que antecede a data definida pelo partido para a escolha dos candidatos (Lei nº 9.504/1997, art. 36, § 1º).

domingo, 29 de abril de 2012

Um acriano no COFEN

O Conselho Federal de Enfermagem realizou quarta-feira (25) a solenidade de posse da diretoria e do plenário para a Gestão 2012/2015. "Consolidar as conquistas e avançar" é o lema do novo pleno que tem como presidente a Enfermeira paranaense, Marcia Krempel, e como vice-presidente, o Enfermeiro cearense Osvaldo Albuquerque Sousa Filho.

A solenidade contou com a presença do Ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves; dos Senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Paulo Davim (PV-RN); dos deputados federais Rubens Bueno (PPS-PR), Alex Canziani (PTB-PR), Rosane Ferreira (PV-PR), Carmen Zanotto (PPS-SC); da deputada estadual Enfermeira Rejane de Almeida (RJ); dentre outros. Também estiveram presentes Conselheiros e Presidentes de todos os Conselhos Regionais de Enfermagem.
Durante a cerimônia, Marcia Krempel fez menção ao papel fundamental de Manoel Carlos Neri da Silva no resgate da credibilidade do Cofen e na reconstrução do Sistema Cofen/Conselhos Regionais, afirmando que a nova gestão sempre terá em sua figura um exemplo de liderança, honra e companheirismo. Ainda em seu pronunciamento, a presidente afirmou: "Tenham certeza que o novo Plenário trabalhará intensamente na valorização da Enfermagem brasileira. Vamos mostrar que a enfermagem é feita mais de acertos do que de erros. Que a Enfermagem está em todas as políticas de saúde. Que sem a Enfermagem não há SUS. Que sem a Enfermagem não há cuidado com a vida. E por isso, somos importantíssimos".



Pela primeira vez na história do Acre, um acriano faz parte da diretoria do Conselho Federal de Enfermagem. Jebson Medeiros de Souza (33 anos) é enfermeiro e um dos conselheiros mais novos a ocupar a vaga de conselheiro federal. Jebson foi eleito também como segundo-tesoureiro e irá administrar o COFEN juntamente com mais cinco diretores no triênio 2012-2015.



GESTÃO 2012/2015 DO CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM

Presidente: Márcia Cristina Krempel (PR)
Vice-Presidente: Osvaldo Albuquerque (CE)
Primeiro-Secretário: Gelson Luiz de Albuquerque (SC)
Segundo-Secretário: Irene do Carmo Alves Ferreira (SE)
Primeiro- Tesoureiro: Antônio Marcos Freire Gomes (PA)
Segundo- Tesoureiro: Jebson Medeiros de Souza (AC)

CONSELHEIROS EFETIVOS:

Ivete Santos Barreto – GO
Maria do Rozário de Fátima Borges Sampaio – PI
Sílvia Maria Neri Piedade – RO

CONSELHEIROS SUPLENTES:

Amaury Angelo Gonzaga - MT
Ana Tânia Lopes Sampaio – RN
Anselmo Jackson Rodrigues de Almeida – PB
Dorisdaia Carvalho de Humerez – SP
Julita Correia Feitosa – PE
Regina Maria dos Santos – AL
Sebastião Junior Henrique Duarte – MS
Vencelau Jackson da Conceição Pantoja – AP
Wilton José Patrício – ES



Fonte: Cofen

sábado, 14 de abril de 2012

O pior filme que foi lançado em Cruzeiro do Sul: Peculato e Concussão


É uma vergonha este filme estar sendo visto por milhares de famílias que estão estarrecidas pelo que os dois vereadores Gilvan Freitas (PMDB) e o Pastor Francisco Ribeiro (PSD) cometeram. Ambos foram presos em flagrantes por peculato pela Polícia Federal em uma ação muito bem planejada.
Como relatado pelo jornalista Genival Moura, "a prática de usar laranjas na função de assessor para se apropriar do dinheiro público seria comum entre os parlamentares, por isso, todos os vereadores de Cruzeiro do Sul e seus assessores, devem ser intimados para prestar esclarecimentos e apresentar as documentações exigidas".
Esta não é uma prática que só ocorre em Cruzeiro do Sul (clique na imagem abaixo) e pode estar acontecendo em todas as esferas de governo (municipal, estadual e federal), principalmente neste ano de eleição.
É só entrar nos sites de transparência das doações eleitorais (http://www.asclaras.org.br/busca.php, por exemplo), digitar o nome dos seus candidatos e ver na lista de doadores da campanha os nomes de pessoas que na grande maioria das vezes não são concursadas e recebem dinheiro e aumento de salário das administrações públicas. É claro que só vai ter peixe grande.
Talvez esse fato prejudicial, principalmente para a sociedade, não vá acabar tão cedo enquanto a população ficar sendo conivente, votando nos mesmos nomes, na mesma corja. A população tem que reivindicar, bater à porta da câmara, pedir explicações, fiscalizar e colaborar com o Ministério Público e a Polícia Federal.
Numa sociedade em que a manipulação da lei, a incompetência, os interesses políticos escusos e a culpa são usados para restringir a liberdade individual, a criatividade e a ambição, os cidadãos mais produtivos se veem impossibilitados de pensar e trabalhar.
Movimento contra a corrupção em Cruzeiro do Sul, já!!! Doa a quem doer... EXERCEREI A MINHA CIDADANIA!!!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Rede internacional de combate à malária procura coordenador

O trabalho está vinculado ao projeto "Resistência à cloroquina em Plasmodium vivax: avaliação fenotípica e molecular na Amazônia Ocidental brasileira", financiado pela FAPESP e coordenado pelo professor Marcelo Urbano Ferreira.  O escolhido irá trabalhar na Universidade de São Paulo (USP) oferecendo suporte técnico e científico para as atividades da instituição no Brasil e em toda a América Latina. Deverá estabelecer o vínculo entre os grupos de pesquisa locais e a rede internacional da WWARN, dando apoio para a organização de seminários e reuniões.  A WWARN está construindo uma parceria para recolher e analisar diversos tipos de dados sobre a eficácia de medicamentos antimalária. 
O coordenador deverá assessorar os encarregados pela coleta de informações, ajudando-os a organizar, limpar e analisar os dados. Para se candidatar ao cargo é necessária formação na área biológica, médica ou epidemiológica. Também  é exigida experiência na condução de trabalhos de campo com pacientes em países em desenvolvimento ou trabalhos de laboratório que envolvam aspectos da resistência a drogas antimaláricas. 
O candidato deve ainda ser fluente em português e inglês e ter boa capacidade de comunicação escrita e oral. O prazo de inscrição vai até o dia 15 de abril e o cargo terá duração inicial de 12 meses.  Mais informações pelo site www.wwarn.org/press/jobs.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

2012 nasce com novas perspectivas, mas com velhas atitudes!

...Não de minha parte, pelo menos em relação as velhas atitudes.

O ano mal começou e já está esquentando, literalmente falando... tanto no clima, quanto na política. Nem o acender das luzes natalinas e o brilho da queima de fogos foram suficientes para iluminar os nossos políticos acreanos que acabam frequentando becos obscuros da política oculta.

Hoje me deparei com uma matéria, distribuída a milhões de pessoas por uma rede social, que já não é tão nova como 2012, mas que tratava um antigo problema da política brasileira: corrupção.

A notícia do Página 20 tratava de uma "Suspeita de fraude em licitação da Prefeitura de Cruzeiro do Sul". Li rapidamente a matéria, até mesmo porque já conhecia detalhes do fato.

Até aí, nada tão assustador, grotesco, porque se trata de uma S-U-S-P-E-I-T-A. Assim, continuei minha leitura diária pelos jornais e blogs acreanos, atrás de alguma notícia relevante e eis que me deparo com a seguinte matéria no blog Terra Náuas: "Tensão no Bom Dia Juruá". A primeira coisa que pensei, foi: "Alguém entrou armado na RTV Juruá e causou pânico na hora do Rádio Jornal!"

Na verdade o que aconteceu foi que o Prefeito de Cruzeiro do Sul telefonou para a RTV Juruá após o jornalista Leandro Altheman anunciar a notícia veiculada pelo Página 20 e assinada pelo jornalista Archibaldo Antunes.

Segue o diálogo:

Wagner: "- eu não achei que era política da rádio ficar divulgando notícias mentirosas de sites mentirosos..."
Altheman: "-peraí prefeito, quer dizer que o página 20 é mentiroso e o Ac 24 horas, aquele jornal que os paga é verdadeiro... "
Wagner: "-Eu só quero dizer que não é politica da rádio..."
Altheman: "- o sr é quem vai definir a política da rádio agora..."
Wagner: "- olha só, menino..."
Altheman: "- quem está agindo como menino é o sr. Seja verdadeiro com a população, prefeito. Se o sr. quiser responder às acusações o espaço está aberto, mas se for para desqulificar o trabalho da rádio e TV Juruá, o sr. não está autorizado..."

Meu comentário:

Fico perplexo com a atitude do prefeito, mas não surpreso. Na hora erra, da maneira errada e de forma indelicada e anti-social ele quis atacar o jornalista Leandro Altheman e/ou atacar a Rádio e TV Juruá. 

Este fato mostra como o Prefeito anda incrementando e muito a audiência desta emissora, alavancando-a ainda mais com os seus distúrbios de personalidade e falta de competência para gestão de problemas e dificuldades que contribuem para marcar sua administração como altamente desqualificada. Aliás... já dizia aquele ditado popular: Quem não deve, não teme!

É para isso que serve a sua assessoria de imprensa e os "poderes" legais da prefeitura? Pra ficar dormindo enquanto o prefeito (que de forma despreparada, equivocada, cerceadora e autoritária) fica ligando pra emissora de rádio de Cruzeiro do Sul na tentativa de resolver o seu problema que foi divulgado em Rio Branco por um jornal?

Ao prefeito, que negligenciou, no momento na discussão com Leandro Altheman, a origem do seu partido (PMDB) cujo berço encontra-se no movimento anti-censura contra o regime militar e onde muitos "meninos" foram privados de sua liberdade e/ou perderam as suas vidas, falta o que sobra na RTV Juruá - atitude política e democrática. 

Wagner Sales começou com o pé esquerdo neste ano decisivo tanto para o seu destino político quanto à população... 

Sales não acredita na força e determinação dos "meninos" de Cruzeiro do Sul e PESSOALMENTE, subjulga, difama e destrói a juventude com o ar de superioridade que lhe é intrínsico!!! 

Por fim deixo questionamentos à todos: Será que a população deseja conviver com a tirania ou a renovação? Trocará o antigo modo de governar pela gestão inovadora? Preferirá dinheiro no bolso no inverno de outubro do que a segurança do alimento à mesa por todo o ano? 

Espero que o vencedor seja derivado de um sábia escolha visando a competência no mais amplo sentido e não a ignorância do coronelismo de barranco.

"Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte teu direito de dizê-lo."

(Voltaire)


Escrito por: Rodrigo Medeiros

domingo, 27 de novembro de 2011

Porque existe tanta corrupção?

Victor Lapuente Giné, no jornal El País de 27 de março de 2009 (p. 27), questionou e descreveu algumas razões para tanta corrupção na Espanha. Valendo-me desse seu artigo como espelho, vamos transpor suas conclusões (com as quais concordamos em linhas gerais) para a situação brasileira.
No relatório do Banco Mundial divulgado no dia 29 de junho de 2009 (oitava edição do Informe Indicadores mundiais de bom Governo) vê-se que o Brasil não melhorou significativamente sua posição no ranking dos países menos corruptos. A dianteira dos 212 países analisados continua em mãos da Dinamarca, que conquistou a maior nota global (em matéria de medidas anti-corrupção: +2,32).
O Brasil ficou na posição intermediária e sua nota foi -0,03. Na América Latina a liderança anti-corrupção é do Chile. Depois vem Uruguai, Peru, Brasil etc. Nos últimos dez anos, os indicadores do Brasil permanecem mais ou menos estáveis (de +0,10 há dez anos passou agora para -0,03, sendo que a margem de erro varia entre 0,14 e 0,18).
De acordo com Victor Lapuente Giné devemos evitar dois equívocos nessa área: (a) dizer que a corrupção é um fenômeno cultural (“é da nossa cultura”), quando, na verdade, é precisamente o contrário: a corrupção que deteriora a cultura, não a cultura que gera corrupção; (b) afirmar que falta regulamentação mais detalhada para a proteção do interesse público.
A causa mais grave da corrupção deve ser buscada na politização partidária das instituições públicas, cujos cargos, em grande parte, são preenchidos por critérios políticos (de amizade, lealdade e de retribuição). É a política do clientelismo. Essa politização partidária na administração pública gera: (a) grande vulnerabilidade à corrupção (na medida em que há incerteza em relação às próximas eleições), o que leva o funcionário (passageiro) a ser mais proclive ao suborno (e ao enriquecimento ilícito); (b) a convergência de interesses político-partidários (particulares) entre todos os que tomam decisões que definem as políticas públicas.
Em lugar de um funcionário público independente, que tenha condições de denunciar o que não é correto para o interesse público, o administrador conta ao seu lado com asseclas que não pensam em outra coisa que ganhar as próximas eleições (para manter o poder, o cargo, suas benesses etc.).
É da condição humana a contínua busca de poder, ou seja, sua conquista, manutenção e expansão. O poder é alcançado por meio de eleições e de partidos políticos - e de financiamentos lícitos e ilícitos, compromissos de cargos etc.
Os políticos não pensam em outra coisa, porque, como dizia Maquiavel, “o desejo de conquistar é uma coisa muito natural e comum, e sempre os homens que o puderem e o fizerem serão louvados por isso, ou [pelo menos] não serão censurados”. Faz parte da antropologia (da natureza humana) a competitividade, a conquista, a expansividade.
E para alcançar e manter o poder muitas vezes o político coloca em ação meios não recomendáveis (pouco ortodoxos), como, por exemplo, a fraude (corrupção),  a violência ou a total ausência de ética. Conta, ademais, com a conivência dos funcionários (partidários) que jogam no mesmo tipo com o mesmo objetivo (ganhar as eleições, manter cargos etc.).
Outro fator que muito contribui para a corrupção é a impunidade. Para garantir a “governabilidade” (de uma instituição totalmente destruída pela imoralidade, corrupção, nepotismo, patrimonialismo etc.), ou seja, para assegurar a impunidade das trambicagens e estripulias anti-republicanas, todo tipo de acordo político é admitido. Somam-se coronelismos com aventureiros emergentes, velhos patrimonialistas com sindicalistas, tudo em nome da governabilidade, isto é, da impunidade.
O governo do país, dos Estados e das cidades, no Brasil, continua marcado pela política do clientelismo. Nesse ponto nosso país lembra os Estados Unidos do final do século XIX e começo do século XX.
Suas cidades eram administradas por um tipo de governo tendencialmente corrupto que se chamava strong-mayor (eleição para os cargos executivos e legislativos, dando-lhes ampla liberdade de nomeação de seus partidários, para governar a cidade). Desse velho modelo clientelista evoluiu-se para o city-manager, onde os cargos executivos passam para as mãos de profissionais independentes. O partido que ganha as eleições não entra no governo com mãos livres, ao contrário, com “mãos atadas”.
O acesso ao cargo público não pode seguir outro critério que não seja o mérito e a competência. Daí a valia dos concursos públicos. Os funcionários devem ser independentes, mas não podem se perder no corporativismo e cartorialismo. O estilo de administração tem que ser idêntico ao privado, tal como hoje se passa na Suécia e na Nova Zelândia, que se acham dentre os países menos corruptos do mundo.
Muita coisa faz falta no Brasil para que alcancemos níveis decentes de moralização da coisa pública. Sobretudo nos faz muito falta o espírito republicano, bem sintetizado por José Murilo de Carvalho em O Globo de 6 de julho de 2009 (p. 7): “Ser republicano é crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza. É rejeitar hierarquias e privilégios. É não perguntar: ‘Você sabe com quem está falando?’ É responder: ‘Quem você pensa que é?’. É crer na lei [assim como na constituição e nos tratados internacionais] como garantia da liberdade. É saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros. É repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas, familistas, paternalistas, nepotistas, corporativas. É acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra o dinheiro pago pelo contribuinte. É saber que quem rouba dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos. É considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu. É não praticar nem solicitar jeitinhos, empenhos, pistolões, favores, proteções. Ser republicano, já dizia há 346 anos o jesuíta Simão de Vasconselos, é não ser [o jeito de ser do] brasileiro”. Do mesmo jesuíta lemos: “Nenhum homem [político, eu diria] nesta terra é repúblico, nem vela ou trata do bem comum, senão cada um do seu bem particular”.

Adaptado de Luiz Flávio Gomes (Última Instância)